Queria escrever esse post de uma maneira sem muito planejamento, ordem, motivo ou teor definido. Quero que seja bem aleatório, de forma que os pensamentos possam ser transcritos sem preocupação com as normas literárias e, mais importante, sem pré-julgamentos da parte do leitor. Não precisa tentar achar um motivo nessa minha divagação toda.
Gosto de me explicar bastante e até uma amiga minha que cursou Letras me deu um possível diagnóstico sobre essa minha mania de começar meus posts com um parágrafo introdutório. Não me lembro bem o que foi que ela me disse mas é algo sobre sentir-me julgada, pressionada.
A verdade é que sei muito bem como é difícil ser bem entendida nesse mundo digital, e até mesmo "cara a cara". Me sinto pressionada a não ser mal entendida, talvez. No fundo, é uma preocupação desnecessária com o que o outro pensa a meu respeito. Mas que não consigo, ao mesmo tempo, negligenciar pois sei que com um pouco mais de cuidado e esforço de minha parte, talvez posso me fazer ser melhor compreendida.
Sou chatinha nessa questão (também em muitas outras, mas isso deixa pra lá). Escrevo e opino muito. Vide o meu facebook. Só dá eu e mais uns dois ou três que escrevem tanto sobre as próprias opiniões. É o famoso metido a filósofo social, digital. É verdade que gosto de expressar minha opinião. Mas também gosto de ler outras opiniões, então quanto a isso me sinto coerente. Também é verdade que se publico a minha opinião é porque sinto que pode esclarecer algo, a alguém, quem - não sei bem, mas que se trata de uma opinião diferente das outras que encontrei por aí. Tem gente que só compartilha o pensamento do outro. Eu não me sinto confortável fazendo isso, porque sempre tem uma palavra aqui ou ali, uma idéia aqui e ali, que não concordo. E não gosto de me comprometer com coisas que não concordo 100%. Por isso escrevo muito com minhas próprias palavras.
As pessoas também sabem que sou católica, como dizem, praticante. Defendo a minha fé. E não é algo que faço sem pensar. Antes de defender a minha fé, eu ENTENDO os meus pontos de crença. Felizmente atráves de meus pais, fui apresentada desde cedo a formação católica de qualidade, ministrada por centros do Opus Dei. Agora que já moro nos EUA fazem sete anos, posso dizer com conhecimento que o Opus Dei é uma das instituições mais coerentes e mais fiéis a Igreja Católica. Não só isso, como o profissionalismo, a ética e a caridade de seus membros são exemplares. Seu estilo torna-se eficiente!
Por causa de meu envolvimento no Opus Dei sempre fui encorajada a ler da fonte (Bíblia e Catecismo) e a os estudar. Posso te garantir que estudei muito. Palavra por palavra. E fez sentido. Tudo faz sentido. O problema é que é muito difícil transmitir algumas idéias sem ser mal compreendida e julgada. Como esse mundo é rápido em julgamentos. E lógico que me incluo nessa. É um esforço recorrente que pratico, tentando me examinar sempre mais. E olhando pra trás, garanto que já fui muito pior. Como que mesmo quando achamos que somos maduros, ainda não estamos lá aonde achamos que estamos.
E concluindo meu pensamento, como sei que carrego o nome de católica praticante nas costas, sinto que as coisas que digo defender ou apoiar tem mais peso. Seria utópico de minha parte achar que as pessoas conseguem separar alguém de todos os seus rótulos. Logo, me sinto responsável a ter muito cuidado com o que as pessoas apreendem de minhas mensagens.
Bem, essa foi a explicação mais longa que já dei como introdução de um post no blog. Introdução, apenas!!!! Sim, minhas divagações nem começaram! Senta que lá vem história!
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Ontem a noite comecei a ler um livro. Um livro que vinha sendo sugerido como que por sussurros por minha própria cabecinha. Não entendi muito bem o motivo do meu sub-consciente em sugerir insistentemente esse livro, tavez fosse mesmo o Espírito Santo sozinho. Isso não me acontece com muita frequência. Em geral tenho uma boa noção do mecanismo do meu sub-consciente. Sempre consigo achar alguma explicação. Não dessa vez.
Bem, o livro é sobre a vida de uma mulher chamada Gianna, médica que faleceu com fama de santidade durante o parto de sua quarta filha. Antes que vocês comecem a achar a explicação misteriosa que eu não achei, devo dizer que eu não sinto que o fato de eu estar grávida teve qualquer importância. Primeiro que não sinto que vou morrer no parto. Não tenho esse receio, medo, apesar que é sempre uma possibilidade. Ínfima, eu diria, mas não zero. Mais importante, eu nem lembrava que ela teve esse desfecho na terra. Não mesmo! Tenho também muitíssimos outros livros aqui em casa, e uma listinha dos títulos que mais me interessam, e "Gianna" estava na lista, mas em terceiro ou quarto lugar. Dada a minha mania de não ler muitos livros, eu sinceramente não achava que iria tocar suas páginas ainda nesse ano.
Enfm, como sou enrolada, mas a explicação está lá em cima, caso você tenha pulado algumas partes! Enfim (2), comecei a ler "Gianna". Não queria mais parar de ler. As primeiras páginas nos contam um pouco sobre a família de Gianna. E chorei! E me fez pensar na minha vida. Nas minhas lamentações. Nos meus 'problemas' que não são problemas.
E hoje, como de vez em quando acontece, me peguei pensando nos rumos que tomei na minha vida. Que nada foi tão simples como pode parecer. Que nem sempre pensei e considerei algumas coisas e decisões do mesmo jeito.
E horas e horas enjoada em casa, sem muita coisa planejada pra fazer, me fizeram pensar bastante e a chegar em um balanço, que é o seguinte:
- Não escolhi deixar minha profissão de lado, mas aconteceu. No meu primeiro ano de casada eu poderia ter tido o amadurecimento para tomar uma ou outra decisão diferente quanto ao rumo profissional que estava levando, mas não ocorreu.
- Não me arrependo, contudo. Por causa disso algumas coisas aconteceram e outras deixaram de acontecer. Nossos planos, meus e do Dani, também mudaram muito do que pensávamos a princípio. Não quer dizer que também considero que "foi melhor assim". Mas aconteceu, e na hora fez sentido.
- Por alguns anos (talvez dois anos) depois que a Rebecca nasceu, eu ainda tinha muita nostalgia do tempo que eu era livre, leve e solta (ou seja, egocêntrica). As dificuldades pesavam e os momentos de folga eram desejados e não saciados (ainda mais estando tão longe da ajuda dos familiares), de forma que era difícil deixar a minha mente em paz. Contudo, inesperadamente, esse sentimento passou! E não foi porque tive algum tipo de sossego. Mas os filhos finalmente me fizeram enxergar algo que antes não reconhecia.
- Comecei a reconhecer que meus filhos me deram um propósito de vida que eu nem sabia que estava me faltando.
- Que sempre fui e sou uma pessoa séria e que não sorrio facilmente. Costumo dizer que os meus músculos do rosto são os culpados, porque até me dói a cara tentar sorrir ou mesmo manter meus lábios com as pontinhas levemente pra cima. CONTUDO, não passo um dia sequer sem sorrir de orelha-a-orelha quando olho os meus filhos uma vez ou outra - ou muitas vezes - a dia. Sorriso genuíno e sem esforço.
- Eu seria alguém ainda mais desprazerosa sem meus filhinhos! (Sei muito bem que não agrado a todo mundo, e está tudo certo!)
- Eu não sei se sou uma pessoa melhor como um todo agora comparando com o que já fui em algum ponto de meu passado. Mas sei reconhecer que o Dani é uma pessoa muito melhor agora, do que a quatro, cinco, seis, sete, oito, nove ou dez anos atrás (vamos completar dez anos de namoro em Setembro desse ano!). Isso porque ele sempre foi admirável. De novo, filhos e amadurecimento nos fizeram bem.
- Que tenho uma casa boa, uma qualidade de vida boa mas que mesmo assim sinto que algo me falta. Algum propósito maior de vida. Queria ganhar na loto e ser a maior empresária filantrópica do mundo. Mas sabendo que muito provavelmente esse não é o meu caminho, e seria imprudente esperar isso cair do céu, sinto que talvez eu possa e deva pensar em outras opções.
- Que sinto falta de meu problemático Brasil, e não estou falando apenas da comidinha boa.
- Que sinto falta da família, também. Isso é bom, porque sempre fui bem auto-suficiente, então encaro isso como uma evolução.
- Mas que sou totalmente contente com minha vida! Que todas as minhas decisões foram conscientes! Que eu não conseguiria viver muito diferentemente do jeito que vivo hoje. Me sinto livre, no sentido de liberdade ideológica.
- Não sei que mais! Que realmente minha vidinha na Terra, mesmo que boa vida, não tem condições nenhuma de responder a todos os meus anseios.
- Que sempre me sinto melhor quando me volto mais para meu lado espiritual, Meu Deus, minha Nossa Senhora. E olha que não costumo fazer declarações desse tipo publicamente.
*fim*
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