Thursday, September 8, 2016

Ode a Vó Nelsa



Hoje acabei de colher nosso primeiro tomate! Um tomatinho cereja, vermelhinho. Simplesmente se trata do primeiro tomate que eu já plantei em toda em minha vida! E tudo começou com meras sementinhas plantadas há uns meses atrás, já um pouco avançados na temporada, em um grande pote de terra improvisado como canteiro! É uma sensação incrível essa de plantar vegetais, frutas - e flores também! Confesso que estou me apaixonando por tudo isso!



E contemplando meu primeiro tomatinho (que por sinal estava uma delícia), comecei a pensar em minha querida vovó Nelsa, que infelizmente já partiu dessa vida há muitos carnavais, no ano 2000. Veja só! Até escolher um ano bonito e extremamente singular para nos deixar lhe foi concedido.

Deixou-nos com tantas saudades!

Quero escrever esse post primeiro em português, como presente a minha mãe, mas também quero escrever esse post em inglês para que meus filhos, netos, etc, possam ler e saber sobre essa mulher que tanto marcou a todos que a conheceram!

E vou contar porque meu tomatinho tem tudo a ver com a vovó Nelsa! Oras bem, vou começar contando sobre a chácara que vó Nelsa e vô Adolfo moravam em Valinhos, SP, Brasil. A chácara contava com uma charmosa casa térrea branca de cinco quartos (2 suítes), uma bela cozinha e uma área social bem espaçosa, aberta e conjugada de duas salas de jantar, sala de estar e uma área de luz que tinha porta (de vidro) para o quintal!


Meus pais e meus irmãos (até o Le) no sofá da sala!

Momento pós festa de natal! Essa é a Larinha!
Natal típico na casa da vó! Uma sujeira de embrulhos ficava a cargo dos adultos!
Ah, as samambaias! Quase tinha me esquecido!


Eu e minhas irmãs brincando de massinha entre os sofás da sala de estar. As janelas davam para a piscina!

Festinha de aniversário, que não me lembrava que só acabavam de noite, na sala-luz!


No quintal grande tinha um belo barracão com churrasqueira, bancadas e pias. Também tinha uma longa mesa e bancos que eram frequentemente usados para eventos e reuniões familiares. Também tinha uma mini piscina de criança que quase sempre estava vazia de água por razões de segurança, e também um belo canteiro de areia, favorito da criançada. Tinham também três árvores, uma que eu adorava subir, mas que acabaram por cortar pois alguém deve ter subido e se machucado ou para evitar que alguém viesse a cair! Tinha também um corredor de concreto margeando a casa, e como o terreno era inclinado, adorávamos descer aquele longo corredor em nossos triciclos!

festinha no barracão

olha a árvore que foi cortada, atrás! Também dá pra ver o corredor de concreto que descíamos de triciclo!

a piscininha e o canteiro de areia!



Sou eu! E ali no fundo tinha um porta lateral que dava para a psicina grande na frente!

Essa é minha mãe linda, a Paula, amigos que não reconheço, e a lateral que dava para o vizinho! Adorávamos estourar com os dedos as sementinhas dessas florzinhas aí atrás!

E mais canteiro de areia!


Na frente da casa tinha uma bela piscina e em volta, árvores e arbustos de flores lindas. Contudo, nem comecei a descrever o mais especial dessa casa e que diz muito sobre a minha avó! A horta! Se a piscina me lembra meu querido vô Adolfo que quase todo final de tarde de um dia ensolarado dava uns mergulhos na água antes de voltar para dentro de casa e tomar o seu banho, a horta com certeza era território da minha avó! E que horta!

Onde acabava o quintal tinha um baixo muro que dava para a horta! E na minha cabeça e memória de criança, aquilo mais parecia uma mini selva, pois tinham muitas árvores frutíferas espalhadas por toda a horta - de manga, pitanga, banana, lichia, mexirica e carambola!

Se ainda fosse só isso, já seria impressionante, mas não era "só" isso, não! Ela também plantava suas próprias verduras em longos e perfeitos canteiros! Tinha alface, rúcula e chicória. Acho que também plantava mandioquinha e batata doce. Não me lembro se plantava pepinos japoneses, mas era certo que sempre havia na mesa! (Minha prima acaba de me confirmar que a vó plantava esses pepinos, sim!!)

E para completar, sua horta também contava com um poço que nos era assustador e tinhámos medo até de chegar perto. Também tinha uma larga e funda fossa bem ao fundo do terreno (parecia que tinhámos chegado ao fim - limite - do mundo) em que ela fazia o próprio adubo com restos e cascas do que se era servido em casa. Esse era outro lugar que não podíamos - e nem queríamos - chegar perto!

E, é claro, tinha também sua pequena e sazonal plantação de tomatinhos cerejas!

Que mulher incrível! Como ela tinha tanto conhecimento de horti-fruti será sempre um grande mistério para mim! Por causa de sua horta, ela acordava todo dia bem cedo (acho que antes das cinco da manhã) mas também tirava sua sagrada soneca da tarde! Ia se deitar um pouco tarde de noite pois gostava de assistir tv antes de dormir.

Tudo que ela fazia, ela fazia muito bem feito! Ninguém dobrava toalhas e lencóis como a minha avó, por exemplo! Também costurava! Tinha seu quartinho de costura e na parede um quadro com sua foto em preto e branco - de noiva com o vestido de casamento mais impressionante que já vi, por conta de sua longa extensão, esparramando-se perfeita e cuidadosamente no chão.

Esse era o quadro e ESSE era o vestido!!!


Mas o que provavelmente era sua melhor qualidade como dona de casa, era sua culinária! Sério, eu sei que toda comida de vó é especial, mas a comida da minha avó era em outro patamar! Pode perguntar para qualquer pessoa que já a conheceu, para qualquer amigo de meus pais e tios que já tiveram o privilégio de comer da comida da vó Nelsa!

Ela fazia o melhor molho de tomate. O melhor nhoque de mandioquinha. Ela fazia o melhor frango empanado (coxinhas com osso empanadas com uma massa cremosa divina). Ela fazia o melhor arroz soltinho! Ela fazia o melhor feijão (e sopa de feijão também) capaz de converter todo e qualquer odiador de feijão que possa existir. A melhor mandioquinha frita! As melhores verduras, a melhor salada temperada e sempre farta, com as melhores folhas. Até seus pepinos fatiados longitudinalmente temperados com sal, apenas, eram deliciosos (era normalmente servido para as crianças antes do almoço)! Ela fazia o melhor bolinho de carne do mundo! Ela fazia O MELHOR pão na chapa e café com leite fervendo no copo de vidro! E quem poderia esquecer a INCRÍVEL geléia de jabuticaba que ela sabia fazer e distribuía entre a família!! Os melhores antepastos (antepasto de beringela que não era nem um pouco ardido). E o pickles de cebolinha?

Sorte de quem a conheceu!

Agora, como mulher! Que mulher elegante ostentando o melhor corte de cabelo channel (tipo Jacqueline Onassis). Sempre bem pintados de preto, sua cor natural! Quando se arrumava vestia os mais bonitos e elegantes vestidos tubinho, e na minha memória tem lugar especial o seu vestido amarelo-gema! Uma mulher linda, mesmo em seus 60 anos. Italiana! Perdeu a mãe muito cedo e foi criada pela irmã, pela qual tinha muito carinho! Chegou até a fazer alguns (poucos) bicos como modelo em sua juventude!







Como avó, a mais calorosa que se poderia querer! Chegávamos para a visitar e já era costume sair correndo ao seu encontro, dar um super pulo e a abraçar pendurados e encaixados nela enquanto nos enchia de muitos beijos rápidos e seguidos na bochecha!! Passar a semana, ou alguns dias, durante as férias na casa da minha avó era um evento sempre esperado e muito bem aproveitado! E como não se lembrar de seus segredos? Nos chamava na cozinha individualmente fingindo de maneira teatral que iria nos dar uma bronca, para nos presentear escondidos com batatas fritas quentinhas! Como não gostar de suas "broncas"!

Vó Nelsa partiu muito cedo! E as lágrimas começam a cair ao terminar de escrever esse post!

Sorte de quem a conheceu e mais ainda de quem pode conviver com ela! Sinto pena que o Dani nunca a conheceu! Seriam almas gêmeas, dois perfeccionistas e apaixonados por culinária! Sinto pena que algumas irmãs minhas nunca chegaram a conhecê-la! E que muitos outros irmãos ainda eram muito novos para guardar no coração essas memórias tão especiais, dessa mulher ainda mais especial! Me lembro dela várias vezes na semana! E vez e outra ainda tenho aquela vontade aguda de comer novamente seu pão na chapa e tomar seu café com leite de queimar nossas pontinhas dos dedos ao segurarmos o copo! Tento replicar, nunca consigo!

Vó, você está sempre em meu coração! Mande um abraço e beijo ao vô Adolfo!



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